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Os franceses não vão gostar

  • 6 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Para enquadrar esta publicação temos de recuar mais de 200 anos.


Portugal, no início do século XIX, era uma monarquia absoluta com um enorme império transcontinental que permitia gozar de enorme prosperidade.


Mas Napoleão, invejoso, tinha outros planos, que vieram trocar as voltas ao sucesso comercial do nosso país. Decretou o bloqueio continental, em 1806, proibindo os países europeus de fazerem comércio com a Inglaterra, visando prejudicar a economia britânica. Aos portugueses restavam 2 opções: 


- virar costas à sua aliada de séculos;

- entrar em guerra com França.


Tentou negociar com os franceses, evitando a invasão, o que não conseguiu.


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A Quinta da Casaboa está situada em Runa. Este lugar foi palco da 3ª invasão francesa. Segundo os registos, e depois do sucedido durante a primeira invasão, o povo, temendo o pior, escondeu os seus bens, sobretudo o vinho que era o produto mais importante do concelho de Torres Vedras.


À semelhança do que se passou no norte do país, as garrafas de vinho foram enterradas no chão, acreditando que não seriam descobertas.


E não foram.


Graças, à astúcia, experiência e determinação do Duque de Wellington, que mandou edificar 152 fortificações, conhecidas como Linhas de Torres Vedras, e que travaram os avanços das tropas francesas. 


Durante a sua estadia, o Duque de Wellington desenvolveu um gosto requintado pelo vinho produzido no concelho de Torres Vedras e, talvez por isso, tenha ficado maravilhado com o resultado alcançado pelas garrafas de vinho escondidas no chão. Inspirados por este "método", decidimos


ir mais longe, ou melhor, mais fundo. 


Enterrámos as garrafas de vinho a 2 metros de profundidade, durante 16 meses, estrategicamente colocadas entre a vinha e o rio Sizandro, o mesmo rio que em 1810 separou as tropas anglo-portuguesas das francesas.


A mesma razão histórica levou à criação do vinho dos mortos, no norte do país, durante a primeira invasão francesa. Mas no sul os aliados deram-nos razões de sobra para festejarmos a vitória e celebrar a vida.


Este vinho evoca a coragem em momentos desafiadores, o poder das alianças e o espírito de resistência.


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Uma adega natural.


A 2 metros de profundidade, em pleno solo argiloso, encontramos a temperatura adequada e ausência de luz. A cera de abelha serviu para selar as rolhas, garantindo maior proteção e o tempo encarregou-se da evolução.


O rótulo é feito a partir de papel reciclado, composto por dois elementos sobrepostos simbolizando as camadas da terra, e surge sem cápsula, evidenciando uma presença mais pura, além de reduzir a pegada ecológica.


Os franceses não vão gostar, mas a verdade é que não temos a ambição de produzir vinhos para todos, mas sim segmentar a oferta e dotá-la de história.


Gostamos de dizer que este é o vinho mais profundo à face da terra.




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